segunda-feira, 27 de junho de 2022

                Caixinha do Correio


18 de novembro de 1944,   meu pai, Adalcino José Scanapieco, embarcava para a Europa junto com a FEB (Força Expedicionária Brasileira) para integrar as tropas dos países aliados (Estados Unidos, Inglaterra, União Soviética, Resistência Francesa etc.) contra as Potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão) durante a Segunda Guerra Mundial.



Tio João, vô Antonio, vó Carmela e papai no dia de seu embarque para a Europa.


Papai pertencia a uma família de sete filhos.



Atrás, da esquerda para a direita,tio João Miguel,tio Bernardino (Nico,o filho mais velho) Adalcino (papai),tio Paulo.  Na frente, da esquerda para a direita da foto,tia Celina Aurora, vó Carmela, tio Alcides (o filho mais novo) vô Antonio e tia Jurema Antonia, em 1938, no quintal da casa da rua Santo Antônio, 179.


Dos seis irmãos do meu pai, tio Nico era o único casado


      Bernardino Scanapieco e sua esposa Ana Scanapieco.


e tinha quatro filhos: Maria Carmélia , Antônio Danilo, Antônio José e Antônio Emanoel. 



Antônio Danilo, Maria Carmélia e Anônio José.


Antônio Emanoel


Moravam todos na Rua Santo Antônio, 179.



Tio Alcide e os tres sobrinhos mais velhos já estavam em idade escolar.
A turminha G de ouro (Gramberyenses)
Carmelinha, Tio Alcides, Danilo e na frente, Zezé 


O papai, quis ajudar com as despesas colegiais e antes de partir para a guerra, combinou o seguinte com a turminha:  ganharia um prêmio quem tivesse o mellhor desempenho na escola e apresentasse o boletim com as melhores notas além de bom comportamento em casa!  Por conta desse acôrdo, tio Nico ficou encarregado de passar para o papai as notícias referentes aos alunos bem como atualizá-lo com relatos sobre a  família.



Durante o período em que papai esteve em solo europeu e a milharaes de quilometros de distância de casa, tio Nico, um homem de muita criatividade, de uma caligrafia invejavelmente linda, lhe enviou uma série de cartões postais.  Ele teve o cuidado de, na maioria das vezes,  escolher os mais divertidos e os adaptava aos assuntos que gostaria de comentar.  Papai foi um privilegiado pois, recebia notícias de casa e  junto, uma dose extra de humor para amenizar os horrores que certamente ele estava tendo que assistir.  O tio foi de uma sensibilidade ímpar e fez também com que as crianças não se entristecessem demais com a situação pela qual o tio e irmão querido estava passando.
Esses cartões, junto com os enviados como respostas pelo papai ficaram guardados até o dia em que tia Jurema me autorizou a ficar com eles e com todo o material fotográfico e documental referente a família Scanapieco.
De posse dessa herança maravilhosa não posso me furtar de compartilhar esses cartões que tenho certeza, serão vistos pela primeira vez por muitos da família . A quarta geração dos Scanapieco de Juiz de Fora merece conhecer um pouco dessa história. 
Vamos abrir então, a "Caixinha do Correio" !




















































Ainda há muitos cartões na caixinha mas, esses foram o que mais me chamaram a atenção.  Tio Nico se fez portador do pensamento e da fala dos filhos para o tio querido e também do irmão caçulinha, que junto com o Zé Metralhadora, deviam espalhar terror pela casa.  Foram, até seus últimos dias de vida, os mais brincalhões, os mais nervozinhos, aqueles que esbravejam por tudo mas que tinham um coração enorme, principalmente o tio Alcides que mesmo sendo o tio mais novo, abraçou a família como um pai amantíssimo e dela cuidou com todo o carinho.
Bom, isso já é história pra uma outra postagem!!!