MINHA " GRANDE FAMÍLIA"
Setembro de 1945.
Sentados, da esquerda para a direita da foto: Neném (filho do Beppe), Paula Marsicano (filha de Nena), Maria Carmélia (filha de Bernardino) e ao lado, sua mãe Ana, tia Jurema, tio Bernardino com o filho Antonio Emanoel ao colo, Imaculada Marsicano, esposa do vizinho da família Scanapieco na Rua Santo Antonio, 197, Sr. Xisto, a menina Helena Marsicano. Atrás, em pé da esquerda para a direita: Sr. Xisto, ao seu lado um outro amigo da família, tia Iolanda e tio Paulo, tio João, vô Antonio, Antônio José, papai (Adalcino), atrás com as mãos no ombro do papai, Antonio Danilo, ao seu lado, Mauro Marsicano, vó Carmela, seu irmão Giovanni Lettieri com sua esposa Terezinha, tia Celina e Nena e atrás do papai, o tio Alcides.A família Scanapieco se rejubila e comemora com muita
alegria a volta de Adalcino, que junto a outros soldados brasileiros, lutou em
terras estrangeiras durante a Segunda
Guerra Mundial.
Teria sido uma sutil insinuação?
Com certeza!!! Um artifício do coração apaixonado e que surtiu o efeito desejado! O amor aproximou as duas almas que com as bênçãos do Altísimo se preparavam para cumprir a sua tarefa maior - iniciar uma nova família!
A casa da família Altomar, nesta época na Rua dos Artistas nº56, no Morro da Glória, era um imenso burburinho. Todos se preparando para a cerimônia que se realizaria horas mais tarde, quando seria feita a prece que abençoaria a união do jovem casal.
Na volta, abre as portas de seu novo lar na rua Santo Antônio nº 54, no imóvel de propriedade de Dª Maria Vieira Fraga, uma senhora portuguesa que morava ao lado com seu filho Antônio.
Por motivo de reforma no prédio, algum tempo mais tarde, o casal passa a morar na casa dos pais de Dirce, onde, a 03 de dezembro de 1952 nasce a sua primeira filha – Lucínia.
Este imóvel teve como entrada o valor recebido pelo papai pela sua aposentadoria ocorrida quando trabalhava no Pastifício Irmãos Saggioro Ltda. O sonho da casa própria estava sendo realizado. Mais alguns anos prestando serviço ao seu antigo empregador e mais outros "bicos profissionais" propiciaram a quitação do apartamento e o alívio para seguir adian
Em 12 de dezembro de 1981, casei-me com Ubiracy de Aguiar Queiroz e divorciei-me em 1999.
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e tiveram 3 filhas: Camila, nascida em 1985, Sara, nascida prematura em 12 de fevereiro de 1990 e falecida em 16 de fevereiro do mesmo ano e em 1993 nasceu Lívia.
Gracy e Belle, que eram bem frequentes aqui em nossa casa. Apesar de virem visitar a família do irmão a casa do Seu Adalcino e dona Lelê era eleita como ponto de reunião onde a mesa sempre estava posta para o café da tarde com direito a broa de fubá (especialidade da mamãe), pão quentinho da Padaria Riachuelo, que o papai buscava com a maior satisfação para recber os amigos e café fresquinho. A meninada brincava e enchia a sala de risada, brincadeiras, cantoria. Não podemos esquecer as composições creditadas ao Marcelo, Victor e Luciana e que tinham como acompanhamento o pequeno violão executado pelo Guilherme. A melodia vou ficar devendo mas as letras, essas estão aqui, para apreciação geral:
Por conta dessa proximidade com as famílias de nossos maridos, vieram também muitos amigos amazonenses que estavam estudando aqui em Juiz de Fora e sentiram na nossa casa o conforto de um lar do qual estavam tão distantes geograficamente e praticamente o ano inteiro pois era muito custosa e difícil a viagem até Tefé ou Manaus para que se pudesse ir mais de uma vez ao ano. Renato, Wallace, Aguinilson, Afonso, Claudemir e família. Chegaram a morar aqui na casa da Av. Perry o Aguinilson e o Afonso, sendo que o primeiro decidiu retornar a sua terra natal mas, depois de um tempo sem nos comunicarmos, reatamos a conversação já que a amizade permanecia. Hoje é pai de um rapaz e avô de duas garotinhas. Afonso permaneceu conosco até sua formatura pelo CTU quando depois seguiu sua vida profissional indo trabalhar em outras cidades até fixar residência em Brasília. É casado, pai de 3 filhos e avô de um neto. Mantemos bem frequente nossa comunicação.
Nossa casa teve um membro adotado pelo coração e criado por sua mãe e avó e por nós da Família Altomar Scanapieco. O Ivan! Conhecido como Broinha ou Feijão.
Tentar passar para vocês o que foi a nossa convivência, minha e da Alcione, ao lado desse casal maravilhoso que Deus nos presenteou como pais, será fácil. Fácil porque só temos boas lembranças. A começar pela nossa casa, que na acepção total da palavra era e ainda é um LAR, apesar da ausência física de seus "fundadores", que já se encontram em outra dimensão!
Baseado e alicerçado no amor, na honradez, na simplicidade, na solidariedade e
no respeito ao próximo, era um lugar que, além de nos abrigar, abria as suas portas
a todos aqueles que dele se aproximassem, servindo de apoio, de conforto e de
segurança para muitos.
Pai:
Quando começamos a estudar no Machado Sobrinho e ele nos acompanhava até a esquina das ruas Santo Antônio e Constantino Paletta e lá ficava até que acenássemos a mão já na entrada do colégio.
Fuundação Educacional MACHADO SOBRINHO.Os anos passando e ele sempre ao nosso lado, nos orientando, nos ensinando, exemplificando e repreendendo também quando preciso.
Quem visse aquela figura de semblante sempre tranquilo mas aparentando seriedade nem sequer imaginaria o grande brincalhão. Nossas amigas que o digam: nunca eram chamadas pelo nome real. Na maioria das vezes eram Margarida ou Terezinha.
Os rapazes ele chamava de Juvenal. Tanto que a turma dos amazonenses sempre perguntava - Como vai o Sr. Juvenal? (Este pai nós o dividimos com os muitos “agregados” introduzidos em nosso lar no decorrer destes 50 anos). Contando com o tempo em que o papai esteve conosco. Após sua partida, mais alguns chegaram, passaram e levaram com eles um pouco de afeto que sempre esteve presente neste Lar.
Mãe total!
Era ela quem costurava os lindos vestidinhos da nossa infância e adolescência!
Também nos acompanhava, quando já adolescentes, aos bailes, os famosos DAs das faculdades, aos bailes de carnaval no Sport Club, e lá ficava até a festa terminar. Sim! E em muitas vezes ouvimos das nossas amigas: só vou se a Dª Lelê for!!! O papai costumava ir mas nem sempre.
Quantas vezes ao som de Ray Connif, Elza Soares, Jamelão, Miltinho e muitos outros, a nossa pequena saleta da Rua Santo Antônio, se transformou em escola de dança e lá estavam as meninas da Dª Lurdes Tavares ensaiando seus passos e a Geralda, debruçada na janela da cozinha da casa da esquina, pedindo pra ouvir Anísio Silva!!! (a janela da cozinha da casa da Dª Lurdes ficava em frente à janela da nossa saleta, ou melhor, nosso salão de bailes, apenas com os quintais separando-as)
Do frescor da nossa casa, cheia de plantas e que nos
refrescava inclusive a alma. O aroma do almoço de domingo: macarronada, carne
de porco assada com batata corada, tutu de feijão, cerveja preta e guaraná Pérola. O som dos
trechos de ópera sonorizando tudo e a interpretação estupenda do pai junto com
o cantor!
Com o entra e sai dos amigos, nosso lar nunca foi só “nosso”! A cada
dia, mais e mais pessoas dele se aproximavam. Alguns momentaneamente, outros por
longos espaços de tempo, mas a maioria permanece conosco até hoje! Disso
podemos nos orgulhar!
Mas por que será que a casa da Dª Lelê e do seu Adalcino sempre foi tão agradável e querida????
É porque nela existia AMOR. E muito amor! Porque nela existiam dois sere iluminados que abraçaram a sua missão de pais e educadores e que
aprenderam com seus pais – Chiquinho e Adelaide Altomar e Antonio e Carmela Scanapieco - que o amor ao próximo, a solidariedade e o respeito ao irmão em humanidade sempre foram e sempre serão os mandamentos principais.
Que nenhum lar persistiria se nele houvesse avareza, egoísmo e
intolerância.
Por isso nosso lar era sempre e ainda é uma festa!
Eu e Alcione mesmo casadas e com nossas famílias constituídas continuamos “usufruindo da casa do papai e da mamãe” porque era difícil não querer estar por perto deles! Era onde nos sentíamos totalmente seguras, onde sabíamos que podíamos “chorar nossas mágoas”, contar nossas alegrias. Porque lá, sempre seríamos compreendidas, ouviríamos conselhos e orientações, e também as reprimendas quando necessárias.
Felizes de nossos filhos que tiveram, como costumamos
brincar, dois pais e duas mães!
Sim, porque em todos os momentos em que nossas figuras de pais biológicos não puderam estar presentes, a figura do vovô e da vovó estavam lá, nos substituindo com carinho, desde a época da troca de fraldas, levar ao colégio, contar histórias, ensinar cantigas, fazer simplesmente companhia e na sua adolescência e idade adulta para lembrá-los sempre de seus deveres e obrigações como filhos e cidadãos do mundo, dando força e coragem nos momentos de suas primeiras grandes decisões, como o vestibular. Sendo o conforto quando o coração começasse a viver emoções do namoro ou, simplesmente para protegê-los ou fazer suas vontades que nem sempre a mãe concordava!!! (Dizem que os pais educam e os avós deseducam!)
Bodas de Ouro
Preparamos uma surpresa pra mãe e pro pai. Festa, a mãe não queria de jeito nenhum. Então, resolvemos reunir os parente e amigos mais próximos para uma homenagem e contamos com o apoio dos netos para que eles recbessem pelo menos um pouco do muito carinho e gratidão que tinhamos por eles. Um pequeno histórico de sua trajetória como casal foi lido por mim. A delicadeza da música entoada pelas netas Camila e Lívia representando os netos.. Um lindo texto lido pela Alcione.
O ponto máximo culminou com o agradecimento do papai através do emocionado PAI NOSSO, que só ele sabia expressar.
Victor, em Letras,
Camila em Comunicação,
Luciana em História e mais tarde no Mestrado em Museologia
Teve o prazer de ver a união dos netos Victor com Juliana,
Camila com Fabrício
Mais um grande vazio nas nossas vidas e na nossa casa e uma nova oportunidade de testar a nossa compreensão e resignação recebidas por anos de convivência com os ensinamentos da Doutrina Espírita que pra mim, foi e é esteio.
Pode parecer que a casa do vô e da vó não mais existe , mas é engraçado como eu sinto como se eles estivessem ainda aqui, fisicamente.
Vivemos alegrias, emoções, perdas, ganhos, enfim, tudo a que estamos sujeitos como seres humanos
Enfim, não nos deixaram sozinhos. Continuam a nos fazer companhia, a nos cuidar, nos proteger e nos guardar. As lágrimas de saudade são suaves porque fomos privilegiados com suas presenças por muitos anos, apesar de egoisticamente querer que fossem mais. Nunca nos lembramos deles com sensação de tristeza, desapontamento, raiva. Muito pelo contrário, sempre com muita gratidão, alegria. Suas lembranças são divertidas e várias vezes quase podemos vê-los fazendo suas marmotices: o pai, marchando ao som de um dobrado militar ou entoando, levantando um brinde, um trecho de suas óperas favoritas! E a mãe, essa ganha nas marmotices!!!! O seu famoso "tsi.tsi..tsi" acompanhando o ritmo das músicas, a sua gargalhada que contagiava e por que não dizer também os seus xingamentos que nunca eram uma ofensa mas sim, um jeito matreiro e carinhoso de brincar com os mais próximos. Tudo isso ainda ecoa neste LAR, que mesmo que algum dia mude o seu endereço, vai levar no caminhão da mudança toda essa maravilhosa trajetória que tivemos. Nunca vamos deixar nada disso para trás. É nossa herança, nossa fortuna!!!!






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13 comments:
Espetacular....Lucínia..!!!👏👏👏👏
Uma emoção enorme ver esse registro sobre a trajetória da nossa querida família. Encheu meu coração de alegria e saudade por tantos e belos momentos vividos. Que Deus a abençoe nessa função de guardiã da memória. Parabéns!
Bota grande nisso! ❤️ Mas faltou a Margot!
Luciana
Que bacana essa homenagem, Lucinia. Não somente à nossa querida Dirce, mas também à saga das famílias Altomar e Scanapieco. Um brilhante relato histórico de como tudo começou. A gente sente pulsar seu coração a cada fato e momento narrado em toda a trajetória familiar.
Parabéns, Lucinia. Podia ter abraçado a trajetória jornalista como suas sobrinhas. Mas tá de bom tamanho…
Que esse blog cresça a cada dia como uma árvore frondosa rumo à profusão de galhos floridos.
Um grande abraço, da sua sempre amiga ( e agora, parente), Fatima Cortez
Que coisa mais linda saber mais e mais de pessoas que tocam o nosso coração em vida!!! Amei Lu!! Demais!! Amo vcs 💋❤️ pra sempre!! Família maravilhosa essa!
Ahhh e continue a escrever viu?? Tu tem um dom maravilhoso!! Bjão Renata Milagre e família.
Hoje eu e Lenira vivemos momentos agradáveis vendo suas postagens feitas com muito carinho e amor. Seu blog está maravilhoso. Você soube transmitir suas lembranças de forma organizada e carinhosa nos convidando a conhecer e sentir suas recordações. Obrigado Lucinia por este presente. Armando e Lenira.
Lucinia, senti muita emocao com quanta memoria bonita neste seu blog. Gostei dos estorias, das fotos, ...mas as da tia leledirce estao demais. Esta tia topava qualquer parada, era uma folia nata. Obrigada, Maria Iarcema
Obriigada Cema! Mais lembranças vão aparecer. Pode aguardar!!!!!
A cada comentário que recebo mais me alegro por saber que fiz a escolha certa: começar a publicar meinhas lembranças! Elas não mais ficarão guardadas mas alcançarão corações que poderão se emocionar ao lê-las
Gratidão!!!!.
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Obrigada!