domingo, 12 de junho de 2022

                                                         

                   MINHA " GRANDE FAMÍLIA"  


Setembro de 1945.

 
Sentados, da esquerda para a direita da foto: Neném (filho do Beppe), Paula Marsicano (filha de Nena), Maria Carmélia (filha de Bernardino) e ao lado, sua mãe Ana, tia Jurema, tio Bernardino com o filho Antonio Emanoel ao colo, Imaculada Marsicano, esposa do vizinho da família Scanapieco na Rua Santo Antonio, 197, Sr. Xisto, a menina Helena Marsicano. Atrás, em pé da esquerda para a direita: Sr. Xisto, ao seu lado um outro amigo da família, tia Iolanda e tio Paulo, tio João, vô Antonio, Antônio José, papai (Adalcino), atrás com as mãos no ombro do papai, Antonio Danilo, ao seu lado, Mauro Marsicano, vó Carmela, seu irmão Giovanni Lettieri com sua esposa Terezinha, tia Celina e Nena e atrás do papai, o tio Alcides.


A família Scanapieco se rejubila e comemora com muita alegria a volta de Adalcino, que junto a outros soldados brasileiros, lutou em terras estrangeiras durante a  Segunda Guerra Mundial.








O jovem oficial, de uma elegância ímpar, cumpria na cidade as suas tarefas militares e, garbosamente montado em seu cavalo, passava com frequência pela Rua Santo Antônio, onde morava, sem perceber que fazia vibrar de emoção e admiração o coração da jovem Dirce, filha do casal Francisco Altomar e Adelaide, vizinhos de sua casa.




                                        Francisco Altomar e Adelaide da Rocha Altomar

Para sorte de Dirce, as famílias, além de vizinhas eram amigas e compartilhavam a mesma doutrina - o Espiritismo - e isso favoreceu e muito a aproximação com Adalcino. A Mocidade Espírita “Dias da Cruz”, fundada pelos frequentadores do Centro Espírita “Seara de Jesus”, foi o palco de muitos encontros dos dois jovens, a princípio como companheiros de ideal, participando das grandiosas Campanhas do Quilo, Encontros de Mocidades Espíritas e muitos outros eventos que agrupavam os jovens seareiros no serviço solidário e de caridade cristã.

Mocidade Espírita "Dias da Cruz" em visita à Fundação João de Freitas.

A convivência do casal foi se estreitando, a admiração mútua crescendo e a amizade entre as famílias favorecendo muitos outros  encontros e em 14 de agosto de 1949, aniversário de Adalcino, Dirce o presenteia com um sugestivo bolo em forma de trevo de quatro folhas, tendo como detalhe algumas trovas dentre as quais: “VIVO ESPERANDO E PROCURANDO UM TREVO NO MEU JARDIM...”

Teria sido uma sutil insinuação?


Com certeza!!! Um artifício do coração apaixonado e que surtiu o efeito desejado! O amor aproximou as duas almas que com as bênçãos do Altísimo se preparavam para cumprir a sua tarefa maior - iniciar uma nova família!


Adalcino e Dirce indo ao cinema e, como mandava a tradição da época, a moça deveria estar acompanhada e neste caso, Pedrinho o irmão mais novo fora o escolhido!



Dirce e Adalcino no dia de seu noivado.


E isso aconteceu há quase setenta e um anos. Em 08 de dezembro de 1951!



A casa da família Altomar, nesta época na Rua dos Artistas nº56, no Morro da Glória, era um imenso burburinho. Todos se preparando para a cerimônia que se realizaria horas mais tarde, quando seria feita a prece que abençoaria a união do jovem casal.




Os Scanapieco, felizes por verem o filho querido seguir o seu caminho, unindo sua vida e seu destino ao da moça simpática, gentil e prendada, que com certeza o faria feliz, e os Altomar por saber que o jovem escolhido pelo coração da filha a faria feliz também, por ser um jovem de caráter honrado, de bons princípios, muito educado e militante e seguidor da doutrina de Allan Kardec.  

Para padrinhos e testemunhas deste ato de amor foram escolhidos: Marucha e Tonho; Alírio Maia e Ninita, João e Emília Scanapieco, Jurema Scanapieco e José Júlio da Rocha (o Dindinho).


Da esquerda pra direita, Marucha e Tonho, Tia Jurema e Dindinho Mamãe, papai, Alírio e Ninita, tio João e tia Emilia,  que se casaram no civil neste mesmo dia.


Linda cerimônia, tudo correndo em perfeita ordem, não fosse a chuva que desabou, tornando a casa pequena demais para abrigar tantos amigos. O bolo, verdadeira obra de arte culinária, feito pela vizinha Dª Vitória e os docinhos saborosos e delicados feitos pela Marucha.




O casal parte em lua de mel para Belo Horizonte. 

Na volta, abre as portas de seu novo lar na rua Santo Antônio nº 54, no imóvel de propriedade de Dª Maria Vieira Fraga, uma senhora portuguesa que morava ao lado com seu filho Antônio. 

Por motivo de reforma no prédio, algum tempo mais tarde, o casal passa a morar na casa dos pais de Dirce,  onde, a 03 de dezembro de 1952 nasce a sua primeira filha – Lucínia. 







Antes que ela complete seu primeiro aniversário, voltam à Rua Santo Antônio e ali dão início a uma trajetória de muitas alegrias e amizades. 

Em 06 de maio de 1954, nasce Alcione, para completar a família ALTOMAR SCANAPIECO.






 



Neste endereço da Rua Santo Anônio,54, moramos por exatos 20 anos . 





Eu e Alcione nos formamos no Curso Técnico de Contabilidade em dezembro de 1972 pela Fundação Educacional Machado Sobrinho onde estávamos desde o primeiro ano primário.


                         

           


Após a formatura nos mudamos para o apartamento na Av. Luiz Perry, onde estamos até hoje.


Este imóvel teve como entrada o valor recebido pelo papai pela sua aposentadoria ocorrida quando trabalhava no Pastifício Irmãos Saggioro Ltda.  O sonho da casa própria estava sendo realizado. Mais alguns anos prestando serviço ao seu antigo empregador e mais outros "bicos profissionais" propiciaram a quitação do apartamento e o alívio para seguir adian
te com a tranquilidade de estarmos seguros quanto a moradia.

Alcione já estava fazendo cursinho para prestar vestibular e eu comecei a trabalhar na profissão ocupando uma vaga de auxiliar de escritório na Magnatex Ind.Com.Ltda, onde meu primo Emanoel era contador.  Continuei na profissão até às vésperas de meu casamento, em dezembro de 1981.  Alcione prestou vestibular para História pela UFJF em 1973 e passou na primeira tentativa. Para facilitar as suas idas e vindas para a Universidade papai comprou um Fusca 65, verde, lindo, que fez a nossa alegria e de algumas companheiras de curso da Alcione que se beneficiaram com as caronas.  O fusquinha nos acompanhou por muitos anos, acho que até meados dos anos 90.  Alcione aposentou-se como professora.





Em 12 de dezembro de 1981, casei-me com Ubiracy de Aguiar Queiroz e divorciei-me em 1999.




Tivemos dois filhos:   Victor, nascido em 23 Julho de 1983 e Luciana em 19 de outubro de 1987.                                  
             




Alcione casou-se com Simón Eugenio Saenz Arévalo em 04 de setembro de 1982
 

e tiveram 3 filhas:  Camila, nascida em 1985, Sara, nascida prematura em 12 de fevereiro de 1990 e falecida em 16 de fevereiro do mesmo ano e em 1993 nasceu Lívia.



                                                                                                    

Com os casamentos nosso círculo de amizades se ampliou,  a começar pelas famílias do Ubiracy e do Simón, que tornaram-se uma extensão da nossa.  Até hoje estamos unidos por uma grande amizade, tornamo-nos uma fraternidade.  

Quantas vezes a família Aguiar Queiroz veio nos visitar e a cada visita, o número de membros aumentava. Todos considerados netos da mamãe e do papai.


Seu Valdomiro e dona Cecy permanecem em nossos corações com muito carinho e saudades. Há algum tempo, principalmente por conta da pandemia não recebemos visitas da Iracy e Zé Carlos (a quem o papai chamava carinhosamente de Antônio Carlos) com


 

Gracy e Belle, que eram bem frequentes aqui em nossa casa. Apesar de virem visitar a família do irmão a casa do Seu Adalcino e dona Lelê era eleita como ponto de reunião onde a mesa sempre estava posta para o café da tarde com direito a broa de fubá (especialidade da mamãe), pão quentinho da Padaria Riachuelo, que o papai buscava com a maior satisfação para recber os amigos e café fresquinho.  A meninada brincava e enchia a sala de risada, brincadeiras, cantoria.  Não podemos esquecer as composições creditadas ao Marcelo, Victor e Luciana e que tinham como acompanhamento o pequeno violão executado pelo Guilherme.  A melodia vou ficar devendo mas as letras, essas estão aqui, para apreciação geral:


A outra não foi registrada neste papel mas me lembro de uma parte da letra:
                                            "Dona Lelê...dona Lelê
                                              de cabelos brancos    
                                              Dona Lelê...dona Lelê,
                                              é a nossa vó..............


A mesma alegria acontecia com a chegada de Dona Manuela, mãe do Simón que com seu jeitinho acanhado nos brindava com suas deliciosas comidas peruanas ou amazonenses, que fazia questão de preparar na casa do filho e trazia para que mamãe e papai também apreciassem. E eu, claro, pegava carona. Era uma pessoa linda e querida de quem guardamos boas lembranças e muitas saudades.

Os irmãos do Simón e suas famílias também fazem parte da nossa fraternidade.


Por conta dessa proximidade com as famílias de nossos maridos, vieram também muitos amigos amazonenses que estavam estudando aqui em Juiz de Fora e sentiram na nossa casa o conforto de um lar do qual estavam tão distantes geograficamente e praticamente o ano inteiro pois era muito custosa e difícil a viagem até Tefé ou Manaus para que se pudesse ir mais de uma vez ao ano.   Renato, Wallace, Aguinilson, Afonso, Claudemir e família. Chegaram a morar aqui na casa da Av. Perry o Aguinilson e o Afonso, sendo que o primeiro decidiu retornar a sua terra natal mas, depois de um tempo sem nos comunicarmos, reatamos a conversação já que a amizade permanecia.  Hoje é pai de um rapaz e avô de duas garotinhas.  Afonso permaneceu conosco até sua formatura pelo CTU quando depois seguiu sua vida profissional indo trabalhar em outras cidades até fixar residência em Brasília. É casado, pai de 3 filhos e avô de um neto.  Mantemos bem frequente nossa comunicação.


Nossa casa teve um membro adotado pelo coração e criado por sua mãe e avó e por nós da Família Altomar Scanapieco. O Ivan! Conhecido como Broinha ou Feijão. 


Sua mãe Ivone é filha de uma antiga empregada da casa de meus avós maternos quando a mamãe estava com 14 anos de idade e lá permaneceu até se casar e voltar a morar em Paula Lima, onde a filha nasceu. Tiana já é falecida. Durante toda sua vida, Tiana foi uma amiga querida da mamãe e nos visitava sempre que possível.






 A amizade com a Ivone nasceu dessa convivência e ela me escolheu como madrinha do Ivan, o que aceitei com muita alegria pois ele nasceu praticamente aqui em casa e ficaram conosco (ela e Ivan) por muitos anos.
Enquanto a mãe trabalhava ele ficava na cheche da Casa Maternal na esquina das ruas Barão de Cataguases e Av.dos Andradas e que mantinha uma escolinha, o Instituto Virgem Poderosa, do qual o Ivan foi aluno.  Broinha, ou melhor, Ivan, é o  irmão mais velho dos nossos filhos , compartilhando com eles de todos os momentos de brincadeiras e comemorações .









Com esse penteado o Ivam conseguiu irritar o papai!!! rsrsrsrsrsr   
Ivan o acompanhava sempre que ele ia ao banco, à farmácia, padaria, enfim, nesta época ele vinha sentindo algumas dificuldades para caminhar e por isso não o deixávamos sair sozinho. Rámos muito, inclusive o Ivan porque ele dizia que os amigos iam ficar perguntando "o que esse camarada de cabelo espetado anda sempre perto do senhor?"  

 
Mais tarde, sua mãe conseguiu um emprego que lhe oferecia moradia e isso era importante pra eles.  Então mudaram-se mas não perderam o vínculo com nossa casa e família.  
Ivan mostrou-se extremamente carinhoso quando nos ajudou  junto com o Victor a cuidar do papai durante sua enfermidade e depois, colaborando muito comigo nos cuidados com a mamãe juntamente com a Alcione e a Imaculada, que nos serviu durante muitos anos.
Demonstrou a esses dois avós o seu reconhecimento e gratidão pelo muito que deles recebeu de carinho e atenção.
Hoje, homem feito Ivan ganhou sua independência trabalhando como pet stylist, muito requisitado. Excelente no desempenho da sua profissão, está dividindo seu tempo entre o seu "trampo" como ele diz e fazendo companhia pra sua mãe que fixou residência em Paula Lima, sua terra natal. Ainda é um grande e querido amigo dos "irmãos de coração" e tentamos nos encontrar sempre que a oportunidade se faça.



Falar sobre nossa família é muito gratificante e por demais emocionante.

Tentar passar para vocês o que foi a nossa convivência, minha e da Alcione, ao lado desse casal maravilhoso que Deus nos presenteou como pais, será fácil. Fácil porque só temos boas lembranças. A começar pela nossa casa, que na acepção total da palavra era e ainda é um LAR, apesar da ausência física de seus "fundadores", que já se encontram em outra dimensão!

Baseado e alicerçado no amor, na honradez, na simplicidade, na solidariedade e no respeito ao próximo, era um lugar que, além de nos abrigar, abria as suas portas a todos aqueles que dele se aproximassem, servindo de apoio, de conforto e de segurança para muitos.


Pai:



Homem sempre de postura elegante em todos os sentidos, cumpridor de suas obrigações profissionais, marido exemplar, provedor da família sem queixas ou reclamações, amigo de todas as horas. Muito bom mesmo lembrá-lo, nos levando a passear na Rua Halfeld.




Indo assistir as sessões de Tom & Jerry no Cine Central ou Pálace, (onde por várias vezes nossa entrada era gratuita graças ao Bebel, primo de mamãe). A sua figura confortadora, quando à noite o sono ia embora e o medo do escuro aparecia. A sua mão acariciando nosso cabelo, a luzinha vinda da ponta de seu cigarro aceso e a calma que nos invadia... Nunca será esquecida!

Quando começamos a estudar no Machado Sobrinho e ele nos acompanhava até a esquina das ruas Santo Antônio e Constantino Paletta e lá ficava até que acenássemos a mão já na entrada do colégio.

                Fuundação Educacional MACHADO SOBRINHO.

Os anos passando e ele sempre ao nosso lado, nos orientando, nos ensinando, exemplificando e repreendendo também quando preciso.

Quem visse aquela figura de semblante sempre tranquilo mas aparentando seriedade nem sequer imaginaria o grande brincalhão. Nossas amigas que o digam: nunca eram chamadas pelo nome real. Na maioria das vezes eram Margarida ou Terezinha.

Uma parte das meninas, nossas amigas e vizinhas :  Vilma (prima),Gracinha, Maria Iracema (prima que morava em São Paulo), Jussara, Alcione, Aparecida, Kiko, e atrás, Júlia e eu.  

 Os rapazes ele chamava de Juvenal. Tanto que a turma dos amazonenses  sempre perguntava - Como vai o Sr. Juvenal? (Este pai nós o dividimos com os muitos “agregados” introduzidos em nosso lar no decorrer destes 50 anos). Contando com o tempo em que o papai esteve conosco. Após sua partida, mais alguns chegaram, passaram e levaram com eles um pouco de afeto que sempre esteve presente neste Lar.





                                                                                                 
Mãe:                                                                                                                                                              
Mulher sempre alegre, agitada, trabalhadeira, sorridente. Presente em todos os momentos (e em todos os lugares)!!!
                                                                                                           


Mãe total!

Era ela quem costurava os lindos vestidinhos da nossa infância e adolescência!





Era quem nos ensinava os primeiros passos de dança, quem nos colocava em  contato com as artes domésticas, nos mostrando como se faziam deliciosos bolos, doces e salgadinhos que com maestria ela confeccionava para as suas muitas freguesas e para nós também.

 As tarefas da escola, acompanhadas e ensinadas com carinho. Os presentes para as professoras na época da Páscoa e Natal. O carinho e atenção estendidos às nossas amigas que a viam não como uma senhora, mas como uma outra amiga.

Também nos acompanhava, quando já adolescentes, aos bailes, os famosos DAs das faculdades, aos bailes de carnaval no Sport Club, e lá ficava até a festa terminar. Sim! E em muitas vezes ouvimos das nossas amigas: só vou se a Dª Lelê for!!! O papai costumava ir mas nem sempre.


Festeira e animada, não deixava nossas férias passarem em branco. Estava sempre programando um piquenique. E lá íamos nós rumo ao Museu, Jóquei Club, Sítio da Dª Cecília Faria,


sítio do tio Alcides ou em qualquer outro lugar onde pudéssemos brincar, correr e deixar a alegria chegar. Claro que sendo ela a mais animada.

Quantas vezes ao som de Ray Connif, Elza Soares, Jamelão, Miltinho e muitos outros, a nossa pequena saleta da Rua Santo Antônio,  se transformou em escola de dança e lá estavam as meninas da Dª Lurdes Tavares ensaiando seus passos  e a Geralda, debruçada na janela da cozinha da casa da esquina, pedindo pra ouvir Anísio Silva!!! (a janela da cozinha da casa da Dª Lurdes ficava em frente à janela da nossa saleta, ou melhor, nosso salão de bailes, apenas com os quintais separando-as) 


Ah! E o nosso telefone sem fio que ela e Dª Olympia usavam para se comunicar. Era o máximo: ouvido colado à parede, algumas batidinhas na mesma e do “outro lado da linha” a voz da vizinha.

 Saudades!!!!!!Sim! Muitas!!!!

Do frescor da nossa casa, cheia de plantas e que nos refrescava inclusive a alma. O aroma do almoço de domingo: macarronada, carne de porco assada com batata corada, tutu de feijão, cerveja preta e guaraná Pérola. O som dos trechos de ópera sonorizando tudo e a interpretação estupenda do pai junto com o cantor!

Com o  entra e sai dos amigos, nosso lar nunca foi só “nosso”! A cada dia, mais e mais pessoas dele se aproximavam. Alguns momentaneamente, outros por longos espaços de tempo, mas a maioria permanece conosco até hoje! Disso podemos nos orgulhar!

Mas por que será que a casa da Dª  Lelê e do seu Adalcino sempre foi tão agradável e querida????

É porque nela existia AMOR. E muito amor! Porque nela existiam dois sere iluminados que abraçaram a sua missão de pais e educadores e que aprenderam com seus pais – Chiquinho e Adelaide Altomar e Antonio e Carmela Scanapieco - que o amor ao próximo, a solidariedade e o respeito ao irmão em humanidade sempre foram e sempre serão os mandamentos principais.

Que nenhum lar persistiria se nele houvesse avareza, egoísmo e intolerância.

Por isso nosso lar era sempre e ainda é  uma festa!

Eu e Alcione mesmo casadas e com nossas famílias constituídas continuamos “usufruindo da  casa do papai e da mamãe” porque era  difícil não querer estar por perto deles! Era onde nos sentíamos totalmente seguras, onde sabíamos que podíamos “chorar nossas mágoas”, contar nossas alegrias. Porque lá, sempre seríamos compreendidas, ouviríamos conselhos e orientações, e também as reprimendas quando necessárias.

Felizes de nossos filhos que  tiveram, como costumamos brincar, dois pais e duas mães!

Sim, porque em todos os momentos em que nossas figuras de pais biológicos não puderam estar presentes, a figura do vovô e da vovó estavam lá, nos substituindo com carinho, desde a época da troca de fraldas, levar ao colégio, contar histórias, ensinar cantigas, fazer simplesmente companhia e na sua adolescência e idade adulta para  lembrá-los sempre de seus deveres e obrigações como filhos e cidadãos do mundo, dando força e coragem nos momentos de suas primeiras grandes decisões, como o vestibular.  Sendo o conforto quando o coração começasse a viver emoções do namoro ou, simplesmente para protegê-los ou fazer suas vontades que nem sempre a mãe concordava!!!  (Dizem que os pais educam e os avós deseducam!)


Bodas de Ouro

Preparamos uma surpresa pra mãe e pro pai.  Festa, a mãe não queria de jeito nenhum. Então, resolvemos reunir os parente e amigos mais próximos para uma homenagem e contamos com o apoio dos netos para que eles recbessem pelo menos um pouco do muito carinho e gratidão que tinhamos por eles.  Um pequeno histórico de sua trajetória como casal foi lido por mim.  A delicadeza da música entoada pelas netas Camila e Lívia representando os netos.. Um lindo texto lido pela Alcione. 

O ponto máximo culminou com o agradecimento do papai através do emocionado PAI NOSSO, que só ele sabia expressar.

Os abraços dos muitos corações queridos que acolheram nosso convite e formaram um ambiente rico em vibrações de paz, amor e carinho foram a melhor forma de comemorarmos os cinquenta anos de união.
















Em 27 de fevereiro de 2001 o papai faleceu deixando um vazio enorme em nossos corações em nossa casa tão acostumada à sua presença forte, segura, confortadora. Foi difícil seguirmos adiante, principalmente por conta do delicado estado de saúde da mamãe que já vinha de longa data.  Ele ajudou muito a cuidar dela, com todo o carinho, respeito e reconhecimento pela grande companheira que ela sempre foi.  Mas, mesmo com a sua ausência a vida foi seguindo, se colocando de acordo com o que a situação pedia e eu e meus filhos viemos a morar com a mamãe. Nesta época eu havia me divorciado. 


Mamãe teve a oportunidade de ainda estar conosco na formatura dos quatro netos: 

Victor, em Letras,


Camila em Comunicação,



 Luciana em História e mais tarde no Mestrado em Museologia


 e Lívia também em Comunicação.


 Teve o prazer de ver a união dos netos Victor com Juliana, 


Camila com Fabrício 


e Luciana com Lucas.


Foi abençoada com a chegada da bisneta Clara, que encheu de brilho seus olhos já cansados pelo avanço dos anos, dos quais uma boa dezena deles passou em grandes provações com sua saúde. Mas mesmo assim, não deixava de lado o seu sorriso, seu bom humor .
 







Recebeu o abraço de seus irmãos e parte de seus sobrinhos no Culto da Família Altomar no dia 05 de março de 2020, seu último aniversário entre nós, completando seu ciclo de 90 anos.
















Em 26 do mesmo mês ela foi ao encontro do seu querido Dadal, que devia estar muito saudoso de sua presença!

 Mais um grande vazio nas nossas vidas e na nossa casa e uma nova oportunidade de testar a nossa compreensão e resignação recebidas por anos de convivência com os ensinamentos da Doutrina Espírita que pra mim, foi e é esteio.

Pode parecer que a casa do vô e da vó não mais existe , mas é engraçado como eu sinto como se eles estivessem ainda aqui, fisicamente.  

Vivemos alegrias, emoções, perdas, ganhos, enfim, tudo a que estamos sujeitos como seres humanos em evolução e essas sensações estão gravadas nas paredes desta casa, em seu pequeno jardim, em muitos objetos, livros, músicas. 

Enfim, não nos deixaram sozinhos. Continuam a nos fazer companhia, a nos cuidar, nos proteger e nos guardar. As lágrimas de saudade são suaves porque fomos privilegiados com suas presenças por muitos anos, apesar de egoisticamente querer que fossem mais. Nunca nos lembramos deles com sensação de tristeza, desapontamento, raiva.  Muito pelo contrário, sempre com muita gratidão, alegria. Suas lembranças são divertidas e várias vezes quase podemos vê-los fazendo suas marmotices: o pai, marchando ao som de um dobrado militar ou entoando, levantando um brinde, um trecho de suas óperas favoritas! E a mãe, essa ganha nas marmotices!!!! O seu famoso "tsi.tsi..tsi" acompanhando o ritmo das músicas, a sua gargalhada que contagiava e por que não dizer também os seus xingamentos que nunca eram uma ofensa mas sim, um jeito matreiro e carinhoso de brincar com os mais próximos. Tudo isso ainda ecoa neste LAR, que mesmo que algum dia mude o seu endereço, vai levar no caminhão da mudança toda essa maravilhosa trajetória que tivemos. Nunca vamos deixar nada disso para trás. É nossa herança, nossa fortuna!!!! 

































13 comments:

Anônimo disse...

Espetacular....Lucínia..!!!👏👏👏👏

Anônimo disse...

Uma emoção enorme ver esse registro sobre a trajetória da nossa querida família. Encheu meu coração de alegria e saudade por tantos e belos momentos vividos. Que Deus a abençoe nessa função de guardiã da memória. Parabéns!

Meus guardados disse...
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Anônimo disse...

Bota grande nisso! ❤️ Mas faltou a Margot!

Luciana

Anônimo disse...

Que bacana essa homenagem, Lucinia. Não somente à nossa querida Dirce, mas também à saga das famílias Altomar e Scanapieco. Um brilhante relato histórico de como tudo começou. A gente sente pulsar seu coração a cada fato e momento narrado em toda a trajetória familiar.
Parabéns, Lucinia. Podia ter abraçado a trajetória jornalista como suas sobrinhas. Mas tá de bom tamanho…
Que esse blog cresça a cada dia como uma árvore frondosa rumo à profusão de galhos floridos.
Um grande abraço, da sua sempre amiga ( e agora, parente), Fatima Cortez

Meus guardados disse...
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Meus guardados disse...
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Re disse...

Que coisa mais linda saber mais e mais de pessoas que tocam o nosso coração em vida!!! Amei Lu!! Demais!! Amo vcs 💋❤️ pra sempre!! Família maravilhosa essa!

Re disse...

Ahhh e continue a escrever viu?? Tu tem um dom maravilhoso!! Bjão Renata Milagre e família.

Armando Sergio disse...

Hoje eu e Lenira vivemos momentos agradáveis vendo suas postagens feitas com muito carinho e amor. Seu blog está maravilhoso. Você soube transmitir suas lembranças de forma organizada e carinhosa nos convidando a conhecer e sentir suas recordações. Obrigado Lucinia por este presente. Armando e Lenira.

Anônimo disse...

Lucinia, senti muita emocao com quanta memoria bonita neste seu blog. Gostei dos estorias, das fotos, ...mas as da tia leledirce estao demais. Esta tia topava qualquer parada, era uma folia nata. Obrigada, Maria Iarcema

Lucínia Altomar Scanapieco disse...

Obriigada Cema! Mais lembranças vão aparecer. Pode aguardar!!!!!

Lucínia Altomar Scanapieco disse...

A cada comentário que recebo mais me alegro por saber que fiz a escolha certa: começar a publicar meinhas lembranças! Elas não mais ficarão guardadas mas alcançarão corações que poderão se emocionar ao lê-las
Gratidão!!!!.

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